
Mãos a se tocar e nos lábios o desejo de um beijo, assim são seus rápidos encontros. Olhares a desvendar pensamentos, no peito um ritmo descompassado, alternância de tons produzida pela surpresa.
Seu dia se iniciará bem cedo, tivera uma daquelas de suas noites velozes, acordou com uma imensa vontade de se entregar ao aconchego do travesseiro, porém o relógio insistia em disparar, sem muitas alternativas pulou da cama, ligou a TV e foi para o banheiro. Em baixo do chuveiro tentava manter-se em pé, mãos na parede equilibravam o corpo cansado. Os dias de inverno não estavam sendo misericordiosos com ela.
Ficou sob a água por uns 15 minutos, mas o desejo de ficar tornou-se latente, ela desligou a torneira e se enrolou na toalha, aumentou a TV, sentia-se só, precisava de companhia, alguém que compartilhasse com ela aquele amanhecer sem muito sol. Lá fora as nuvens a encobrirem as montanhas, gostava de dias assim, gostava de ficar sozinha, acreditava que havia dias em que precisava ficar sozinha, mas de uns tempos para cá, D. Luiza anda com medo de ficar sozinha e principalmente, anda com medo de ficar com o coração sozinho.